15 de setembro de 2015

A nova infância: o será o amanhã? Responda quem puder!




Há quase 10 anos a trilha sonora de uma série de televisão, intitulada Antônia, exibida pela Rede Globo anunciava uma transformação social que acontecia diante dos nossos olhos, embora alguns permanecessem na inércia. Algo não muito diferente do que acontece nos dias de hoje.

A letra assinada em coautoria por Cindy Mendes, Marcel Ortiz e Tchorta Boratto dizia assim…

Se preferir, ouça aqui!

"Din din, don don. Din din, don don, nossas crianças estão virando ponto com
Din din, don don. Din din, don don, o doce delas agora não é bombom.

Hoje não tem mais essa de neném

Nem rola mais "gugu-dádá", "tem-tem".
A salada mista é tirar a roupa.
Coisa de criança, ficar nu, beijo na boca.
Sem essa de mina brincar com boneca
Deixou cair a peteca, já trocou pelo boneco
Levando bem mais a sério a brincadeira de médico
As pequeninas não sonham em ser Chiquititas

Querem ser coelhinhas da Playboy e não Paquitas.

Já era o "xuxuxu xaxaxa", o ritmo é outro
Quem não sabe vai dançar
Sopa de letrinhas agora escreve em frases proibidas,
Praticadas e não lidas e passam despercebidas
Hum baba baba baby baba, no escuro das baladas
Rola até o impossível, tudo menos palavras
Na era do silicone, novos tempos
Onde só conta o ibope, mesmo quem não tem estilo levanta pondo Botox.

Estar na moda toda hora virou papo que incomoda,

tô por fora dessa onda que afoga a liberdade
e a simplicidade do cabelo black power, jeans e top. 
Então se jogue e não se enforque,
seja livre como eu sou, seja no reagge, samba ou hip-hop.
E não seguindo as vezes o shopping
Chega de regras
Tô no limite, não gosto de rédias
Tá tudo errado, quer a drama, Já virou comédia (então
me erra)
Tô afim de sair do padrão, 
só faço rimas porque ninguém gosta de ouvir sermão (mas pow se liga)

Na era da Internet, Orkut. Barbie, Balão Mágico só minha mãe que curte.

Não é mais minas contra minos, é diferente o esquema
No clube do Bolinha e o da Luluzinha mudou o sistema
É muito louco mas essa loucura passou do limite
Seguir tudo a todo custo pra agradar quem te assiste
Tô dizendo o que acho, sem deboche ou esculacho

Com um pouco de ironia mas é sério o que eu falo

Não tem problema se você não concorda
Se a minha rima é torta e esse tema te incomoda
Só abre o olho depressa, isso também te interessa.
Não é conversa furada, entenda a forma que meu verso expressa
Depois me diz se do jeito que tá dá pra ser feliz

Tô falando do que acontece debaixo do seu nariz."


Quase uma década depois muita coisa aconteceu. Naquela época quase não existiam redes sociais, o Youtube ainda era um depósito de vídeos de família, slides de fotos criados no Movie Maker e clipes da MTV. Não se chamava o autoretrato de selfies e nem existia Instagram, Snapchat ou coisa que o valha. Ah, e não tinha status algum em ser blogueira.

Entre Melodys e Mini Musas Fitness que se degradam em rede, com o incentivo e legitimação dos pais, na insana busca por uma fama pífia de visualizações e curtidas. E dos pequenos que preferem o tablet à bola e o celular à boneca, me permito imaginar qual seria a rima dos dias atuais, com tantas novidades.

Recentemente, o autor Augusto Cury lançou uma versão para crianças e adolescentes do seu best seller “Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século” e declarou que “estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo”. E – que fique claro - não se trata de saudosismo ou supervalorização dos tempos de outrora, nem muito menos uma demonização das novas tecnologias, mas um alerta:

No que estamos transformando nossas crianças? E como será a infância a partir da era atual?

Cury dá a sua valiosa contribuição:

“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

E a rima é clara: “Só abre o olho depressa, isso também te interessa”.


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2 comentários:

  1. Um post pra chacoalhar a cara de um monte de gente. (A letra do início não conheço/conhecia, mas parece que está bem atual né? Uma pena que sim). Pior que às vezes é a gente que incentiva essas coisas, e nem se dá conta. Certos pais deviam ler isso aqui, só pra se envergonhar de certas coisas...

    Amo tua criticidade, Juh.

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    Respostas
    1. Ohhhhhhhhhhh linda!!! Obrigada... a admiração é totalmente recíproca.
      E sim, é muito triste perceber que todas essas "mutações" - se é que posso assim dizer - são frutos do incentivo dos adultos, pais que muitas vezes projetam nos filhos aquilo que queriam ter sido e, na maioria das vezes esquecem que elas são pequenas demais pra levar esse fardo. :(
      Sem falar que essa fase é tão única, não tem como voltar e fazer diferente. Complicado!

      Obrigada pela sua visitinha e comentário. Amo demais essa interação!
      Beijuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuus

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